ATACANTE GORDINHO

A ESTRATÉGIA DO ATACANTE GORDINHO – SÓ ESFORÇO NÃO APROVA                 

 

Olá, estudante.

Aqui é o Alexandre Bento.

Tive um amigo chamado Erasmo.

Ele era gordinho, baixinho e corria pouco.

Já eu era bem alto, magro e corria demais.

Mas no futebol ele era o craque e eu, o perna de pau.

Corria bem menos do que eu, mas em praticamente todos os lances importantes e nos gols ele estava presente.

Era impressionante a capacidade que dele estar no lugar certo e na hora certa.

Ficava impressionado com aquilo.

Olhando ele jogar, puder perceber que ele tinha uma capacidade de observar o jogo e se movimentar para onde a bola iria.

Ele praticamente previa o movimento da bola.

Enquanto eu corria pra caramba de um lado para outro, ele se movimentava calmamente e se posicionava nos locais certos.

Eu corria de um lado para o outro para estar nos lances, mas simplesmente não conseguia.

Vejo as pessoas fazendo exatamente igual em suas vidas.

Trabalham muito, correm, estudam, gastam muita energia, mas não tem resultados bons.

Já outros parecem fazer menos esforço e os resultados são muito melhores.

Você tem que entender que muitas vezes não conseguimos competir em pé de igualdade em todas as frentes.

Isso é normal e nunca vamos conseguir vencer nas mesmas condições um cara que tem condições muito favoráveis: tem que ter estratégias.

Vou dar um exemplo meu.

Quando comecei a estudar, vi centenas de pessoas na sala de aula no cursinho ávidos pelo mesmo sonho que eu.

Vi que eles eram mais jovens do que eu, tinham mais tempo do que eu, uma memória melhor do que a minha e uma melhor educação.

Muitos deles estudavam o dia todo e eu tinha que trabalhar.

Como competir com isso?

É igual no futebol aquele menino que corre pra caramba e está no melhor da forma física e você é o titio.

Eu precisava me destacar e ter um diferencial e decidi usar o que chamo hoje de estratégia do atacante gordinho, em homenagem ao Erasmo.

Vi que não podia competir nesses aspectos, mas podia investir em planejamento.

Uma visão estratégica que me permitisse “correr menos”, entre aspas, do que meus concorrentes.

É essa capacidade que quero que vocês adquiram.

Sabe o quanto eu defendo o valor do esforço, mas não pode ser um esforço disperso e pouco estratégico.

Esforço pelo esforço não leva ninguém a lugar nenhum.

Conheço pessoas que acordam 4 da manhã e chegam em casa às 11 da noite e nem por isso são recompensadas de maneira apropriada por todo esse esforço.

Tudo tem a ver com posicionamento.

Você tem que “olhar o jogo” e entender a tendência e se movimentar antes dos seus concorrentes.

Ai você diz: isso é bonito, mas como aplicar isso na prática?

Vou dar um exemplo do perfil de algumas pessoas que me procuravam no início de minhas aulas.

O cara estava insatisfeito com o trabalho e sonhava em passar para juiz federal ou auditor da Receita, pois assim ia mudar completamente de vida.

Só que ele sai às 05 da manhã e chega às 09 da noite para um trabalho que o suga completamente.

A estratégia dele era vencer na raça: chegar em casa e estudar das 10 até meia noite.

Eu propunha sutilmente estudar para um concurso mais fácil e isso soava como um pecado.

Igual a mim no futebol, essas pessoas fazem um esforço absurdo, mas a tendência é que seus resultados sejam muito ruins.

A primeira grande estratégia que deve pensar é o valor da renúncia.

Para ganhar tem que perder.

Meu avô chamava isso de dar um passo para trás, para dar dois para frente.

No exemplo em questão, o aluno do perfil se coloca em uma posição difícil.

Ele ganha muito bem pelo seu trabalho e tem um estilo de vida muito caro.

Simplesmente não pode trabalhar menos ou mudar de emprego.

Esse ciclo vai se retroalimentando e com o tempo boa parte de seu salário é para pagar distrações para suprir sua frustração, remédios e médicos.

Ele entra em um ciclo que não percebe como sair e sua tentativa de estudo muitas vezes só agrava sua situação.

Muitas vezes o estudo é válvula para que possa dizer que está tentando e depois poderá culpar fatores externos pelas suas falhas.

Há uma saída que ninguém te fala.

Quando comecei a estudar, tinha um emprego muito puxado e que trabalhava aos finais de semana, mas que me permitia ter as noites livres com relativa tranquilidade.

Só que eu fazia faculdade.

Não tive dúvidas: ao invés de tentar conciliar tudo, larguei a faculdade, pois entendi que o concurso naquele momento fazia muito mais sentido: passar em um concurso mesmo de nível médio já me daria um salário 4 vezes maior do que a média do que ganhavam pessoas formadas naquele curso.

Só que para deixar a situação complexa, ofereceram-me uma promoção que dobrava meu salário.

Fiquei tentado a aceitar.

Olhando em perspectiva, percebi que essa promoção ia fazer com que eu trabalhasse bem mais, sem ter hora para chegar em casa.

Não tentei administrar, recusei educadamente e segui meu plano.

O meu ponto é que pensei estrategicamente e soube me retirar de situações estrategicamente ruins: que eu ganharia no curto prazo, mas perderia no médio prazo.

Isso deu tão certo que meus projetos futuros ficaram muito mais fáceis.

Consegui passar depois em um concurso muito mais difícil e com poucas vagas, mas estava já em um cargo público muito mais tranquilo.

Tinha recessos, finais de semana, feriados emendados, toda uma estrutura que me permitia cuidar da família e de minha saúde física e mental.

Essa é a estratégia do atacante gordinho.

Não correr tanto como todo mundo ou até nem ser o cara mais forte, mas se colocar em situações fáceis de administrar e se posicionar muito bem.

Claro que fiz esforço, claro que me esforcei, claro que foi difícil, mas não me coloquei em situações que seriam ainda mais difíceis, quase beirando o improvável.

Eu com certeza me esforcei muito menos do que aquele rapaz que sai 05 da manhã e chega meia noite para ganhar dois mil reais. Mas soube fazer o esforço concentrado e estratégico.

Esse foi o segredo de meu êxito.

Espero que essa sacada o faça repensar sua estratégia.

A estratégia mais segura para o sucesso tem a ver com essa capacidade de renúncia temporária e de saber fazer boas escolhas.

Há oportunidades que muitas vezes são armadilhas disfarçadas.

Saber dizer não é ainda mais importante do que a pronta ação.

 

Alexandre Bento

Especialista em preparação de alto desempenho para concursos e vestibulares, ministrando cursos e palestras acerca do tema.

Nomeado em 15 cargos públicos efetivos e atualmente é Analista da Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC, na área de Orçamentos públicos.

Cocriador do Método Tríade de Coaching de Concursos, Vestibulares e Enem.

Criador do canal Meu Estudo, que traz o melhor conteúdo de Técnicas de Estudo, motivação e ferramentas para potencializar seus estudos.

Criador do canal Minhas Questões de Concursos, que traz questões comentadas de concursos públicos.

Criador do canal Minhas Questões ENEM, que traz questões comentadas do ENEM.

 

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