PARADOXO DA MEDALHA ENFERRUJADA

PARADOXO DA MEDALHA ENFERRUJADA

Nunca fui um estudante muito empolgado.

Não via nenhum sentido em tanto dever de casa ou em ficar horas copiando uma matéria do quadro.

Tarefa chata, repetitiva e que não aprendia nada.

Em protesto, fazia questão de fazer o mínimo necessário para ser aprovado.

E sendo bem sincero, isso era bem fácil.

Era praticamente só estar presente na aula, não criar problemas e se esforçar o mínimo.

Essa estratégia sempre deu muito certo.

Pelo menos para “passar de ano”.

Na sexta série, tive um professor de Matemática que não passava dever para casa e nem copiava no quadro.

Ele criou uma competição de Matemática na sala.

Explicava a matéria e organizava tarefas para serem cumpridas no decorrer da semana.

 Ele ia dando pontos por cada comportamento positivo e pelo mérito.

Todo mês tinha embates de grupos que os alunos tinham que ir no quadro e responder questões sorteadas de Matemática e de Geometria.

Adorei aquilo. Sem frescura, sem subjetividade, sem mi mim mi.

Havia regras que todos concordamos e só o que interessava era o mérito.

Praticamente todo mundo se empolgou.

Pela primeira vez, tive a motivação necessária para chegar em casa e rever todos os conteúdos e responder todos os exercícios para conseguir fazer os testes.

Queria ajudar minha equipe e queria vencer.

Foram quase 06 meses de muito esforço.

No final, tinha um grande campeonato e um membro de cada equipe competia com outros respondendo questões no quadro.

Fui o escolhido de minha equipe por ter me destacado.

Ganhei o campeonato na parte individual e ficamos em primeiro lugar na classificação por equipes.

Recebi uma medalha de ouro como prêmio.

Nunca tinha me sentido tão feliz.

Aquela foi a primeira experiência que tive que o esforço gera resultados.

Passei a gostar de Matemática a partir daquele momento.

Minha mãe falava para todo mundo da família o quanto eu era inteligente.

Imagine só isso. Logo eu.

Infelizmente, os métodos do professor não foram muito bem recebidos e ele teve um embate com a direção e acabou mudando de escola.

Agora bem recente, estava mexendo em algumas coisas para jogar fora e encontrei a pequena medalha.

Estava toda enferrujada e nem dava mais para saber que era de “ouro”.

Fiz um limpa em minha casa e joguei fora ou doei várias coisas que custaram muito dinheiro, mas não consegui jogar a medalha fora.

Pensando a respeito, acho que uma medalha dessas não custa nem dois reais.

Ainda mais sendo de lata, tão minúscula e toda enferrujada.

Mas simplesmente não consegui jogar fora.

Aquela medalha me custou meses de trabalho duro e tinha um valor que não consegui explicar.

Por que consigo me desfazer de carros caríssimos, mas daquela medalha não?

Refletindo, pude entender que somos motivados muito mais por reconhecimento e conquistas do que pelo valor monetário das coisas.

Por que isso é importante?

Entender a motivação humana é o desafio mais complexo de qualquer professor, aluno, empreendedor, funcionário, líder ou liderado.

Por exemplo, atletas de alto rendimento passam 4 anos treinando para uma olimpíada, afora o tempo para chegar nesse nível.

Você sabia que o preço de produzir uma medalha de “ouro” em nível olímpico é menos de 600 dólares?

Mas para um país ganhar uma medalha de ouro foram gastos, muitas vezes, dezenas de milhões de reais diretamente.

Mas a glória, o reconhecimento e a superação fazem tudo valer a pena.

Quer outro exemplo?

A estrela no ombro de um oficial militar custou anos de dedicação e esforço e é repleta de significado e responsabilidades.

O objeto em si pode não valer nada, mas o significado é cheio de valor.

Da mesma forma, qual o significado de ser nomeado em um cargo público ou ver seu nome entre os aprovados em um vestibular?

À primeira vista, parece tão banal e sem valor.

É só um nome ao lado de tantos outros.

Quando custa aquele papel com seu nome impresso?

Por isso, se você conseguir entender sua verdadeira motivação e não focar nas tarefas chatas, você terá energia para conquistar sua glória.

Isso foi muito importante para meus estudos.

Eu sempre entendi que meu foco era na conquista do resultado.

E não era só o dinheiro, mas o sabor de conquistar algo difícil.

Sabendo disso e estudando esse tema mais a fundo, entendi que a forma tradicional que aprendemos na escola e com nossos pais não nos prepara para a vida.

Não adianta querer se enganar, a vida é naturalmente uma competição.

Competimos por atenção, por recursos e por posições.

Mas meu ponto é que isso não precisa ser uma competição solitária e egoísta.

Por exemplo, meu método preferido de estudo era ensinar outras pessoas.

Eu compartilhava conhecimento e de quebra era quem mais estava aprendendo.

Veja o vídeo que fiz sobre a Técnica Feynman e vai entender.

Esse conceito me ajuda demais na educação de meus filhos.

Quero fomentar um comportamento de cooperação e de reconhecimento pelo esforço.

Vou deixar uma aula sobre o aplicativo chamado CHECKPOINT que desenvolvi para potencializar esse comportamento.

 

Alexandre Bento

Especialista em preparação de alto desempenho para concursos e vestibulares, ministrando cursos e palestras acerca do tema.

Nomeado em 15 cargos públicos efetivos e atualmente é Analista da Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC, na área de Orçamentos públicos.

Cocriador do Método Tríade de Coaching de Concursos, Vestibulares e Enem.

Criador do canal Meu Estudo, que traz o melhor conteúdo de Técnicas de Estudo, motivação e ferramentas para potencializar seus estudos.

Criador do canal Minhas Questões de Concursos, que traz questões comentadas de concursos públicos.

Criador do canal Minhas Questões ENEM, que traz questões comentadas do ENEM.

 

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